Tempo

17 ago

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Hoje,
é o tempo
que poderia ser,
mas não é!

Entretanto,
giram ponteiros,
velozes, certeiros,
e passam os números,
como vendaval
diante dos meus olhos.
Nuvens se vão
ligeiras no céu
carregando bichinhos de algodão
que se desfazem rapidamente
diante dos meus olhos.
Vão-se os sonhos
rumo ao horizonte
que batidos por ventos quentes
viram água cadentes.
E tudo o que espero agora
é somente
e eternamente
o amanhã.

No horizonte,
o firmamento esbarrando no chão
se esconde na penunbra vespertina.
Lembrarei entristecido
que em algum lugar te deixei
e já é tarde demais pra voltar…
pois anoiteceu!

 

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Saudade, flores, paixão e teoria quântica

15 ago

luz

Minha alma grita de saudade
daquilo que jamais pôde ter.
Como posso ter saudade do que não tive?
Quem pode entender os caprichos do coração?
Isso não era para ser uma pergunta.
É mais uma exclamação que exprime a certeza
de que somos passageiros de um trem sem freio,
quando se trata de amar a pessoa errada,
ou melhor, a pessoa certa, no momento e lugar errado.

Eu rio de mim mesmo e da audácia
que uma parte do meu cérebro teima
em escolher as flores mais bonitas.
Isso parece natural quando se trata de flores.
Mas não quando são pessoas.
Pois pessoas não são flores.
Ainda que algumas sejam tão bonitas
e interessantes quanto.
Todo mundo devia saber
que as flores mais bonitas são mais raras,
mais caras, mais sensíveis e
tem sempre alguém
que quer ser seu dono.

Ah, a paixão!
Estou por descobrir como tudo acontece!
Quando se começa a querer alguém
é como viajar na velocidade da luz.
Em um momento estamos aqui,
segundos depois, já estamos a milhões de quilômetros
viajando… na maionese… Ri-me disto!
Até o tempo parece passar mais rápido pra quem ama.
O problema é que quem se apaixona,
nem sempre traz o seu amor nesta viagem,
e na maioria das vezes, a paixão, é uma viagem solitária.
O foguete da paixão, quase sempre,
só tem lugar pra um passageiro.

Amar, algumas vezes, é uma viagem sem volta.
Mas, suponho que o sortudo que encontrar o seu amor
no momento quântico exato do tempo e do espaço,
o tem para sempre, ou não! Sei lá! Quisera fosse assim!
Não entendo muita coisa de teoria quântica.
Mas lembro de que aquela partícula só se move
quando a gente não está olhando pra ela.
Parece que o amor também é assim:
só acontece quando não o estamos querendo de verdade.
Quando o desejamos tanto,
ele simplesmente não dá sinais de vida!
Vai entender…

Então parece que parar
de ficar olhando tanto pro lado
dá algum resultado,
e deixar rolar ainda é a melhor solução.
Pois se calcular a velocidade de partículas subatômicas
é algo extremamente complicado,
imagine tentar entender o amor.

Somos poetas

10 ago

tinta

O poeta é poeta!
Não porque quis sê-lo
talvez por orgulho, ou soberba,
ou porque, alguém, certo dia,
simplesmente disse: “Você é!

O poeta aprende sozinho
a ver a beleza do mundo
nas pequenas coisas que são.
Admirando o amanhecer
e o dourado por do sol
aprende que é bom… viver!
Sabe que amar vale a pena, sempre!
Que um sorriso sincero cura dores
Que o vento no rosto relembra amores,
Que o choro passa e lágrimas sempre secam

O poeta é poeta por amar!
incondicionalmente, sem reservas
sem rótulos, nem enfeites, ou dissimulações;
sem preconceitos, sem medo e sem vergonha.
Pois a poesia é algo básico da alma
e é absolutamente imperativo escrever,
colocar no papel novas ideias
semear formatos, estilos e liberdade
É quase uma doença, é assim como um vício.
É como fazer vasos de barro.

O simples ato de “dizer” equivale a
transbordar, transcender o ser visível
quebrar a efêmera casca do ser
em busca do belo e intocável ideal

Ser poeta é optar pela vida!
É viver a transcendência da letra
sabendo que versos não se formam
por geração espontânea
mas, poemas, são histórias
de quem tanto amou viver.

Ser poeta é aprender a “ver”
É apreciar com extrema atenção
aquilo que não pode ser descrito com palavras.
É guardar em silêncio e segredo
as entrelinhas e as reticências da vida.

Ser poeta é ser apaixonado!
E esta é a única condição possível
de existência que ele conhece.
Seu coração se recusa sempre
a tornar-se solo árido,
pois de que servem jardins sem flores?

Enfim, ser poeta é ser gente!
e assim, aos poucos, percebemos
que em algum momento da vida
somos todos poetas.

 

Doçura

8 ago

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Doce, doçura
mel com loucura
linda e pequena
de branca tez
tão sorridente
adoça meus braços
com abraços quentes
e minh’alma carente
aquece talvez

então meus sonhos tristes
se tornam até mais alegres
e voam coloridos, leves
em céus de doces brigadeiros
quando os pés que correm ligeiros
em rios de açúcar e de mel
me trazem um doce recheio
singelo, embrulhado em papel

Quisera, louca doçura
viesses minha boca beijar
mas só me trazes um doce
com doces me queres amar
saibas que tenho carinho
de sobra em meu peito pra dar
mas não queres, então meu açúcar
de doce se põe a amargar.

Outro dia

8 ago

só

Vai-se o sonho
vem a dor, mas nem tanto
do amor já tão imenso
faz-se pranto
Faz escuro, faz silêncio

Ainda, a alma, ama!
Aos poucos, porém
esvai-se, derrama
É como areia na praia
quando pisada, levanta
e depois, com as ondas
tranquila, se aplaina

Vai-se o brilho
vem o cinza, mas nem tanto
tudo, um termo tem
até o encanto
Por um tempo
Foi-se o sol,
mas tem a lua
que escondido vejo só.
É como flor
dada em paixão
que no livro vira pó
A chuva passa
o doce acaba
A paixão, como o café
de lado, na mesa esfria
Amanhã, porém, é certo
tem sempre outro dia!

JÁ VOU

7 ago

Meu mar tem saudade de mim
minhas nuvens vem e vão
meu sol que aquece agosto
tem saudade do meu rosto
moreno de sal e sabão

venta vento, me leva embora
que sou leve como o ar
sei voar, já não preciso
tanto, tanto do sorriso
que se nega a me amar

Quantas vezes já fiquei
solto no mundo inteiro
comendo vento com pão
vivendo do coração
sem roupa e sem dinheiro

se vou nunca mais volto
nada mais me prende, aqui
meu cabelo esvoaçando
parece que está zombando
me dizendo que fugi

 

Meu desejo

2 ago

Cerro os olhos
fito ao longe e vejo
alguém.
Não sei porém,
se vai,
ou se vem.
Onde começa
ou termina.
Percebo apenas quem
parece que tem
meu coração nas mãos
e vento nos pés,
aos poucos indo,
entre as nuvens de verão
rindo, rindo.
Ainda fito e vejo
aquela que tanto quero
meu amor, meu desejo.
Num relampejo de luz
por cima da cidade
o clarão vai sumindo
me deixando apenas
saudade.